sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crepúsculo, não!

A trama começa como qualquer outro romance. O casal principal se encontra e o livro prossegue comentando o efeito de Edward sobre Bella, mesmo que, até então, o contato deles seja mínimo. Ela se encanta com ele quando o vê pela primeira vez.

Em determinado momento, não muito distante do ínicio do livro, Edward adverte sua presa sobre o fato de que qualquer proximidade entre eles é uma decisão errada. Que o melhor para ela é não ter contato com ele, nunca. Ele afirma que pode muito bem ser o vilão e não o mocinho da história, com essas exatas palavras.

No decorrer da história, Bella descobre os reais motivos pelos quais Edward tanto afirma ser uma ameaça à segurança dela, mas, ainda assim, por ele ser *insira aqui um dos vários elogios usados para defíni-lo ao longo do livro*, Bella decide que, independente do que ele seja, mesmo que um monstro, ela não se importa. Ela escolhe por não temê-lo. Porque, também, a idéia de não tê-lo por perto a consome como se sua vida fosse realmente acabar caso ele não estivesse mais ali.

Ao se envolver inconsequentemente com Edward, ela coloca não apenas sua própria vida em risco, mas também de seu pai e mãe. Após se tornar parte de uma brincadeira de caça ao rato para aquele que seria um vampiro do mal, Bella quase morre, sendo apenas livrada do veneno que a transformaria em vampira para que a trama não acabe ai.

Edward diz que a partir daquele momento ela é a vida dele. Que ele jamais permitirá que algo ruim aconteça com ela. Até que na segunda parte da saga ele a abandona em Forks, "para seu próprio bem". Abandona-a enquanto ela continua sendo caçada por vampiros do mal e também coloca, sozinha, a própria vida em risco. Faz isso em uma tentativa de chamar atenção daquele que escolheu deixá-la.

Stephenie Meyer teve a capacidade de escrever um "conto de fadas" no qual tudo se encontra às avessas. Aquele que representa uma ameaça à vida da personagem principal é por quem ela se apaixona de forma completamente avassaladora. Aquele que se mostra diariamente preocupado com sua segurança e felicidade é por quem ela é incapaz de sentir nada mais além de plena amizade.

Pela primeira vez em seus livros, Meyer é capaz de escrever algo real e não distorcido, quando o mocinho sofre pela falta de reciprocidade da mocinha, porque a mocinha busca, na verdade, o amor daquele que oferece risco à sua vida, aquele que a abandona a própria sorte, aquele que a deixa para trás. Quanto mais apanha, mais quer. Genial.

Quando Bella tem que escolher entre ficar ao lado daquele que esteve ao seu lado o tempo todo, quando ela egoístamente (palavras da autora) manteve sua companhia por saber que sem ela voltaria ao estado depressivo em que ficou ao ser abandonada ou ir até a Itália para salvar a vida daquele já muito citado, ela decide por (também) abandonar Jacob e correr para que Edward não seja assassinado pelos vampiros que se encontram em Roma.

Se fosse apenas uma história, mais um livro, mais um filme, eu jamais me daria o trabalho de lê-lo e ainda mais redigir críticas à respeito, mas, tendo o efeito que tem sobre meninas adolescente (e não tão adolescentes), é impossível ignorar a quantidade de absurdos passados pela saga.

Então, por favor, absorvam cada "ensinamento" passado de forma contrária. Não se envolva com quem representa malefícios; em momentos cruciais não abandone quem esteve ao seu lado sempre cuidando de você; sua vida não acaba quando um relacionamento acaba; não escolha o que gosta de você só porque ele gosta de você, mas, com certeza, não escolha o que não gosta.

E eu paro por aqui, ler a outra metade da saga seria um esforço grande demais para o qual nem minha vontade de ter mais críticas a serem feitas aguenta.

domingo, 1 de maio de 2011

A Dog's Purpose

O livro, que em português teve o nome convertido para 4 vidas de um cachorro, se trata de um cachorro buscando entender qual é o seu propósito de vida. O que o título brasileiro entrega são as mortes e renascimentos que o cachorro enfrente durante o livro.

Em cada uma de suas vidas esse cachorro, Bailey, aprende novas lições que o ajudarão em sua vida seguinte, mesmo que em dado momento ele ainda não saiba. O que chama atenção para esse livro, muito mais nessa época com diversos livros sobre cachorros/animais, é que a narrativa toda é feita pelo cachorro em questão.

Como um animal doméstico enxerga as situações a seu redor, desde os cheiros, os sentimentos das pessoas, os outros animais até, principalmente, as atitudes humanas.

W. Bruce Cameron, escritor consagrado pelo New York Times, foi capaz de transparecer os sentimentos daqueles que consideramos nossos melhores amigos. Indicado para donos de cachorros que não temem se apaixonar ainda mais por seus animais. Como o subtítulo original diz: Um livro para humanos.

Como qualquer livro envolvendo relações sentimentais (já que não é possível ter a companhia de um cachorro e não amá-lo), o fim parece triste, mas mesmo derramando lágrimas, não é. O que não impediu o autor de levar seus leitores a chorarem (no meu caso apenas uma vez) em meio a leitura do seu livro.

Terminei o livro apaixonada pelo Bailey e, melhor do que tudo, ainda mais apaixonada pela minha própria companheira canina.

terça-feira, 22 de março de 2011

#100factsaboutme

A tag está nos Trending Topics do twitter desde semana passada, a idéia é boa, mas dominar a timeline dos meus followers não me parece tão legal assim. Por isso vou postar os 100 fatos aqui, mantendo o limite de 140 caracteres que eu teria no twitter. Justo?

1. Nunca gostei de ser chamada de Re, por ser apelido para Renata, Regina, Rebeca. Por isso gosto tanto do Becka. Só pode ser de Rebeca!
2. Eu não tenho Cupaiolo no nome. É o sobrenome do meu pai e eu acho lindo. Nunca gostei de Medeiros Correia, por isso usava o Fernandes.
3. Eu sempre fui apaixonada por cachorros, mas só fui ganhar a MINHA mesmo quando tinha 10 anos. Passei 2 anos pedindo por ela.
4. Eu falo inglês desde os 11 anos e fico super feliz quando pessoas passam por mim na rua conversando em inglês. Eu nasci para falar inglês!
5. Eu tenho algumas manias de organização. Odeio que tirem meus DVDs da ordem (ordem de compra), por exemplo.
6. Eu tive meu primeiro blog aos 12 anos. Ele e os vários que vieram depois nunca deram certo. Até criar o Pensamentos Aleatórios em 2006.
7. Quando era criança e ia para festinhas de amigos meus pais me proibiam de tomar fanta laranja por causa do corante e minha bronquite.
8. Aos 8 anos operei de apendicite. Fiquei 3 dias no hospital e levei 6 pontos.
9. Pouco depois de me recuperar da cirurgia comecei a ficar muito doente. Levamos um ano para descobrir o que era, fui em 13 médicos.
10. Eu tive Fibromialgia, que não tem cura, mas depois de um ano de muito sofrimento simplesmente deixei de ter.
11. Até os 10/11 anos eu só ouvia Sandy&Jr, BSB, Nsync, etc. Isso até ver o clipe de In the End do Linkin Park e gostar MUITO.
12. Eu quase reprovei os 3 anos do Ensino Médio.
13. CSI Las Vegas estreiou quando eu tinha 10 anos. Meu pai me proibiu de assistir e eu assistia escondida. Era minha série preferida.
14. Eu cresci tendo muito mais amigOS. Minha mãe me vestia com vestido e meia calça, mas no fim eu batia figurinha no chão com os garotos.
15. Eu já fui apaixonada pelo Selton Melo. Isso até assistir O Cheiro do Ralo.
16. Eu comecei a escrever textos/crônicas aos 12 anos.
17. Odeio bebida alcóolica, a única vez que bebi foi UM gole de Stella Artois que meu irmão me "fez" tomar.
18. A minha loja se chama Euquifizz porque comecei fazendo camisetas e me perguntavam "nossa, onde você comprou?" e eu respondia: Eu que fiz.
19. Quando prestei vestibular aos 17 anos eu queria fazer Letras/Tradução, passei e meu pai não me deixou fazer.
20. Passei no Mackenzie para ADM e não contei para os meus pais. Tempos depois meu irmão me entregou.
21. Fui dar meu primeiro beijo caminhando para os 19 anos. Foi horrível.
22. Eu escrevo muito melhor quando estou triste, sofrendo. Muito melhor.
23. Eu fiquei em crise por duas semanas quando completei 20 anos. Eu me via menina, criança, despreocupada demais, para ter 20.
24. Meu filme preferido é um desenho. É A Nova Onda do Imperador. Já assisti 30 vezes.
25. Um dos meus sonhos de infância era me tornar poliglota. Ainda pretendo atingir esse sonho. Minha próxima língua será o francês.
26. Eu descobri que adoro dar aula. O salário era baixo, mas as aulas em si eu adorava.
27. Eu não sei o que realmente quero fazer da vida porque gosto de muitas coisas, ser professora, tradução, montagem de maquetes, artesanato
28. Eu sou o tipo de pessoa que prefere ser falsa e cumprimentar alguém que não gosto do que ser mal educada.
29. Sou viciada em séries. Depois que o Grissom saiu do CSI transferi meu amor e vício aos Law and Order do Universal.
30. Eu era uma negação na escola, só aprendia a matéria para a prova, nunca fui de reter o conhecimento. Não lembro quase nada do colégio =/
31. Eu nunca fui uma grande fã do Paralamas, conhecia algumas músicas, mas não era FÃ. Até ano passado, viciei.
32. Eu não consigo sair de casa sem fones de ouvido. Entre o barulho de SP e o meu, fico com o meu.
33. Eu fiz mais amigos durante minhas DPs na faculdade, com uma turma de MKT, do que com a minha mesmo, de RH.
34. Pois é, minha mãe me disse: Ao invés de fazer um ano de cursinho, faça dois de faculdade. - Fiz. Sou formada em Recursos Humanos ¬¬
35. Eu aprendi a fazer origami pelo youtube, só para me distrair e não pensar em quem não devia. Faço origamis desde janeiro de 2009.
36. Em 2009 fui ao show da Colbie Caillat "arrastada" por um amigo, hoje os cds dela são uns dos que mais tocam no meu iPod.
37. Sou apaixonada por quatro bichos não-"convencionais": esquilos, pinguins, capivaras e lhamas.
38. Tenho mais de 10 pinguins (pelucia/madeira/pedra/plástico) no meu quarto.
39. Se o original de um livro é inglês, faço questão de ler o original.
40. Tenho todos os livros do meu escritor preferido, Nicholas Sparks.
41. Já fui da minha casa até o outro lado da cidade carregando 10 livros para tê-los autografados por ele. Consegui!
42. Disse para meu pai que meu filho vai se chamar Nicholas (por causa do escritor), ele ficou enciumado.
43. Dentro do Brasil nunca viajei para fora da região sudeste. Acho isso um absurdo.
44. Minha única viagem para o exterior, até hoje, foi para a Argentina.
45. Sempre sonhei em morar no Canadá, em Montreal, mesmo sem conhecer.
46. Eu sou quem mais conhece meninas que participaram do TDB Capricho. 20, até agora.
47. Eu me acostumei a ler um livro por semana. Mudei para quatro livros por mês, o que não dá na mesma.
48. Acho Sonho de Valsa o melhor chocolate nacional.
49. Até 2008 eu só pintava as unhas de Renda ou Café+Rebu. Passei o Rosa Artístico da Colorama uma vez e desde então uso mil cores.
50. Eu seria mais feliz tendo um labrador, um yorkshire miniatura, um boston terrier. Ou pelo menos um deles. Se possível o Boston Terrier.
51. Sou enciumada com as "minhas" bandas. Algumas que poucos conhecem eu faço questão de não compartilhar. Sou chata, eu sei.
52. Encontrei no Weheartit um vício inútil que me faz feliz. Adoro as fotos do My Heart =)
53. Sempre sonhei em lançar um livro e estou, finalmente, trabalhando para que isso aconteça.
54. ODEIO pessoas que não sabem ficar sozinhas, que precisam estar namorando/ficando com alguém sempre.
55. Adoro tênis. "Deveria" ser louca por sapatos, mas adoro tênis, se pudesse teria vários pares de várias cores, marcas e modelos.
56. Acho lindo usar short com tênis :3
57. Sou gorda e branquela - faria muito sucesso em 1900. - HAHAHAHAHA
58. Para quem não sabe, eu confesso: Meu cabelo não é liso natural!
59. Eu queria ser igual meu pai, ele sabe tudo sobre qualquer coisa que eu pergunto.
60. Para mim, as vozes do Phil Collins e do John Mayer são incríveis. Cantando ou não.
61. Eu fui no show do The Beautiful Girls, de graça, à convite da banda e passei 3 horas com eles no camarim. Surreal.
62. Eu conheço a maioria dos amigos que fiz através da internet.
63. A música me rendeu muitas amizades especiais, Carol, Pedro, Felipe, Isa, que o digam!
64. Eu cresci no interior, mesmo tendo nascido em São Paulo. Hoje meu sotaque é uma mistura estranha de "caipira" e paulista.
65. Odeio filmes de terror e de suspense. Tenho memória fotográfica, depois essas lembranças me "perseguem".
66. Tenho aracnofobia. Tanto que choro e começo a tremer incontrolávelmente se uma aranha cruza meu caminho.
67. Sou alérgica a picadas de mosquitos. Talvez por isso eu seja uma das maiores fontes de alimento pros mosquitos de Pinheiros.
68. Adoro fazer presentes/surpresas/coisinhas aleatórias para as pessoas. Às vezes mais por mim do que por elas.
69. Eu me apaixonei pelo Rio de Janeiro, fui para passar 7 dias e acabei ficando 11.
70. Adoro conhecer a história das pessoas.
71. Eu sei músicas da Disney de cabeça até hoje. Amo desenhos.
72. Adoro colecionar coisas, hoje coleciono DomoS, Pinguins, coisas da coca-cola e outras coisas.
73. Tenho uma coleção de adesivos desde os 7 ou 8 anos. São mais de 3000 hoje e contando...
74. Estou, finalmente, aprendendo a usar vestidos com frequência. Para a felicidade da minha mãe.
75. Eu sempre quis ter uma irmã ou irmão mais novo.
76. Tenho meus Lego da época de criaça até hoje. Ganhei uma caixa nova no natal de 2009. Meus filhos brincarão com os meus Lego.
77. Ano passado conheci meus dois autores preferidos, o Antonio Prata e o Nicholas Sparks.
78. Sou horrível em exatas, fazer contas de cabeça só com números ridículos.
79. Quando criança só comia pizza de mussarela.
80. Odeio cebola. Pizza Portuguesa só sem cebola. Cebola é do inferno!
81. Tomate e palmito são incríveis. - Deu fome!
82. Quando criança eu não comia ovo frito, minha mãe uma vez fritou um ovo de codorna para mim.
83. Eu e meu irmão somos netos e sobrinhos únicos por parte de pai, crescemos tendo tudo que precisávamos e, quase, tudo que queríamos.
84. Eu adoro o Penauts/Snoopy. Só não sei se mais pela história deles ou a história do autor.
85. Quando eu tinha uns 12 anos tive um "namoradinho de e-mail". A gente perdeu contato e nunca mais nos falamos.
86. Eu não consigo deixar o esmalte nas unhas descascando, é horrível! Começa a sair eu já tiro tudo. Ou pinto de novo ou deixo sem nada.
87. Eu não sei tocar nenhum instrumento. Já toquei flauta doce, mas enlouquecia minha cachorra.
88. Eu sempre acredita muito e confiava muito nas pessoas. Isso até 2009. Hoje sou praticamente outra pessoa.
89. Às vezes me incomoda não ter ninguém, mas confiar em alguém de novo é ainda mais difícil.
90. Adoro músicas que fazem TOTAL sentido para mim. Ouço mil vezes. Como se tivessem escrito elas para mim.
91. Eu gosto de ter nascido em 1990. Em 2000 eu tinha 10. Em 2010, 20. E assim para sempre.
92. Eu chorei quando o Senna morreu, mesmo com só 4 anos. Odiava F1, mas assistia por causa dele.
93. Chorei quando o Claudinho (& Bochecha) morreu. Eles sempre foram humildes demais para sofrerem uma tragédia dessa.
94. Adoro banana amassada com leite condensado e Nèston. Lindo!
95. Parmeggiana é, oficializado por toda minha família, meu prato predileto.
96. Flocos sempre foi meu sabor preferido de sorvete.
97. Eu tenho o joelho todo marcado de quedas na infância, usava bota ortopédica e tinha os joelhos para dentro, corria e caía. (y)
98. Acho pijama lindo, mas adoro dormir com camisetonas antigas. É confortável, dá uma sensação de "segurança" até. #aloka
99. Tem algumas coisas que eu ouço desde "sempre", como: Simple Plan, Linkin Park, PWT's, John Mayer. E pra sempre.
100. Ainda vão usar essa lista contra mim no futuro. Eu sei :~

CHEGA! Esqueci alguma coisa? Me falem ;)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Post a secret

Já imaginou como seria ler os segredos mais bem guardados (e às vezes obscuros) das pessoas? Mesmo sem saber de quem exatamente eles vieram? É assim que funciona o Post Secret. O blog existe desde 2005 e tomou proporções muito maiores do que as esperadas.

A idéia é mandar pelo correio (por isso "post", em inglês) um cartão postal com um segredo escrito em um dos lados. Todos os cartões chegam anonimamente ao endereço disponível no blog. O projeto cresceu tanto que seu fundador, Frank Warren, já lançou 5 livros contendo os segredos recebidos por ele. Alguns nunca postados no blog.

"Desde que me lembro sempre achei a idéia do suicídio interessante, por causa do meu problema de gagueira. "O Discurso do Rei" mudou minha vida. Tenho 38 anos e finalmente descobri que gaguejar não é um defeito fatal".

Para manter a curiosidade e a leveza da página, a cada domingo ela é atualizada com uma nova quantidade de postais, deletando os anteriores. Mas a internet nos permite acesso à muitos deles pelo google e sites como photobucket (procure por "post a secret") e weheartit (procure por "post secret").

O projeto já ganhou versões em outras línguas além de um "workshop" oferecido pelo fundador. Ele acontece em várias cidades ao longo do ano e todas as datas são disponibilizadas no site.


"Eu tinha receio de que pudessem reconhecer minha letra em meu postal, então pedi a uma estranha no ônibus para escrever o que eu ditasse, quando eu ditei ela não escreveu. Ela me olhou e disse "Eu também" com os olhos cheios de lágrimas".


Os segredos publicados, no blog e nos livros, falam de família, infância, Deus, auto-estima, sexo, amizade, salvação pessoal, drogas e tantos outros sempre surpreendentes.

Algumas das maiores surpresas para mim foram sobre livros do Post Secret de bibliotecas, pessoas que deixaram postais guardados neles e pessoas que os encontraram.

E deixo o aviso, o projeto é viciante. Ele no ar desde 2005 e eu ligada nele desde 2006.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eu sinto e sinto culpa

Eu sei que o que eu sinto quando nos vemos não deveria ser sentido. Talvez não por mim, pelo menos. Mas eu sinto e sinto sempre. E me sinto culpada, porque é como se eu gostasse de você mais do que deveria. E qualquer coisa a mais do que se deve parece errado e por isso me sinto culpada.

E eu acho que o culpado é você, afinal, é quando estou com você que eu sinto essa culpa, é quando me esforço para agir como se você fosse só mais um, mesmo que não seja, mesmo que talvez ninguém perceba a atenção a mais, talvez porque ela só me pareça a mais porque eu sei que é.

Eu acabo ficando sempre sem saber o que fazer, como não agir demais, como não ser indiferente demais, como me convencer de que eu não fico tão feliz de ter você ali, do meu lado. Às vezes eu até sinto que não sou só eu, que a idéia não parece “não tão ruim” só na minha cabeça, parece que em alguns momentos você também luta contra tudo o que eu luto quando passamos um tempo juntos.

O pior é saber que considerar que com o passar do tempo o sentimento vai sumir não me ajuda em nada, o tempo passou, o tempo passa a tanto tempo e a cada tempo junto o sentimento se faz presente.

Enquanto eu não te ver feliz ao lado de outro alguém talvez ele nunca passe. Talvez enquanto um de nós não assumir e aceitar que o outro carrega a mesma coisa e optar por tentar, esse sentimento não vá passar. Talvez ele nunca passe. Talvez ele não deva passar. Talvez você seja sempre a única pessoa de quem eu sempre gostei mais do que deveria.

E quem sabe isso não seja tão ruim, quem sabe isso seja até bom, quem sabe você descobre que também gosta de mim mais do que deveria e a gente se goste mais do que devemos juntos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novo Lar

No natal de 2009 meu presente para minha avó paterna (e, (in)felizmente, a única que tenho) foi um quebra-cabeça de 1000 peças com uma imagem da Torre Eifel. Já que montar quebra-cabeças sempre pareceu loucura, seja pelas imagens que não facilitam ou pelas milhares de peças, eu achei na idéia de dá-lo de presente um motivo para tornar a montagem sensata.


Meus planos para o natal de 2010 incluíam um quebra-cabeça de 1500 peças para o meu avô paterno. Em junho comprei o quebra-cabeça e passei a montá-lo calmamente, sabendo que dezembro estava longe e que me sobrava tempo para terminá-lo, moldurá-lo e dá-lo de presente.

Com o tempo a imagem foi se tornando mais difícil e meus esforços para completá-lo mais raros. Cheguei ao mês de dezembro faltando cerca de um 1/3 para terminar. No dia 11 de dezembro, meu avô, que estava internado em um hospital há algumas semanas, sofreu uma parada cardíaca e foi redirecionado para a UTI onde já havia passado alguns dias anteriormente.

Durante dois anos, aproximadamente, meu avô morou em uma Clínica para idosos, sua idade avançada (quase 83) e a doença de Parkinson, faziam com que seus cuidados fossem muitos, precisando de atenção diária e constante. Nas visitas que o fiz fiquei triste ao vê-lo ali, porque gostaria de poder tê-lo por perto, cuidar dele, como sei que toda minha família sentia. "Ao passar algumas horas aqui fico incomodada, enquanto ele passa o dia todo, todos os dias, aqui. Nossas visitas são as boas horas do dia dele, isso faz valer a pena", era o que me fazia passar por cima do mal-estar e ir até lá por ele.

Quando ele foi internado eu me vi completamente incapaz de ir ao hospital vê-lo. Eu o via na clínica, na cadeira de rodas, mas bem, conversando, cantando suas músicas antigas e novas, as quais não escrevia nunca, mas sempre lembrava para cantar para nós quando íamos visitá-lo. Ir ao hospital era sinônimo de vê-lo mal, cheio de aparelhos a sua volta e cuidados muito maiores do que os de antes. Me senti egoísta, mas sabia que vê-lo ali me faria um mal insuportável.

No dia 11 de dezembro eu fui ao hospital. Eu vi meu "velhinho", como eu o chamava, estava na UTI, entubado, inconsciente. Inconsciente não, dormindo, porque sei que ele teve consciência do meu choro alto por ele. Sei que sentiu meu último carinho em seus cabelos brancos. Ele morreu menos de uma hora depois de meu pai ter me mandado para casa.

Eu terminei o quebra-cabeça no último dia 6. Confesso que chorava enquanto encaixava as últimas pessoas, sozinha em casa, sofrendo por saber que ele nunca teve a chance de saber todo o tempo que eu gastei me dedicando a fazer algo para ele. Quando coloquei a última peça, duas e meia da manhã, fiquei olhando aquela imagem e pensando. Pensando.

Pensei: Isso é lindo demais! Todo esse azul, esse castelo maravilhoso. Tão lindo. Parece o céu. É isso, é o ceu, esse castelo é a casa de Deus, esse castelo é onde meu avô mora agora, em um lugar lindo assim.


O quadro vai ficar pendurado na sala da minha casa, o presente que era de mim para ele, virou dele para mim. Meu medo de olhar para ele e sofrer, passou. É uma lembrança constante de que foi melhor assim, de que ele está em um lugar lindo, muito melhor.

Obrigada, vovô. Obrigada porque todo dia 5 de março eu era seu presente de aniversário, do dia 6. Sua única neta, "a menina mais bonita" que você disse ter visto na vida, mesmo que nunca tenha sido verdade, eu sempre amei ouvir isso de você, desde criança. Obrigada pelo jeito com as palavras que você passou ao meu pai e dele para mim. Obrigada, velhinho, por ter me amado e por ter me deixado te amar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Breakeven

Ela partiu. Partiu sem ao menos olhar para trás uma última vez, como se tudo vivido entre eles até aquele momento já não importasse mais. Ele ficou, toda a indiferença que ela demonstrou ele passou a carregar nos dias que se seguiram.

Ele gostaria de culpá-la, mesmo sabendo que fazê-lo não mudaria sua dor, não faria a decisão dela ser esquecida e tudo voltar a ser o que era. Depois de um fim nada é igual. Ela escolheu acreditar que todo fim é um novo começo. Ele se perdeu entre o começo e o fim.

Deitado, acordado madrugada adentro, sabe que ela dorme, como um anjo, como se todo o passado tivesse sido não só apagado, mas esquecido. Sente sua insônia como se ela dormisse o sono dos dois. Ela está livre, ele se vê preso ao tempo.

Ele perdeu o melhor pedaço de si mesmo, ela encontrou um pedaço melhor para completá-la, alguém capaz de priorizá-la e, acima de tudo, amá-la como ele não foi capaz.

Pedaços são assim, pessoas são assim, diferentes. Ele segue enquanto ela vive, jamais haverão palavras capazes de tornar a dor suportável ou o fim aceitável, pessoas e pedaços só fazem sentido quando juntos.

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Breakeven - The Script

domingo, 2 de janeiro de 2011

Antonio Prata

Nascido em 1977, Antonio carrega não só o sobrenome do pai, Mário Prata, como também seu talento para a escrita. Em 2002, quando eu tinha apenas 12 anos, passei a ler suas crônicas na Revista Capricho. Elas fechavam cada edição com chave de ouro, era por conta delas que eu começa a revista sempre de trás para frente.

Apesar do sucesso e notoriedade do pai, Antonio conquistou seus próprios leitores, fãs e lançou seis livros até hoje. Ao sair da Revista Capricho disse a redatora, "Tudo o que eu tinha para dizer, ensinar, falar, para essas adolescentes, eu já escrevi. Eu não tenho mais nada para passar para elas". Foi então que passou a ser colunista do jornal Estadão, trocando-o pela Folha recentemente.

Em seus anos como conselheiro-irmão-mais-velho-amigo-de-adolescentes foi capaz de influenciar minha vida de uma forma essencial, me ensinou a escrever. Passou em suas crônicas a necessidade e vontade de escrever, assim como ele, sobre tudo, sobre qualquer coisa, apenas não deixando de escrever jamais.

Recentemente revi uma pasta com textos publicados meus e melhor do que isso, textos desse talentoso escritor que guardei quando, muitos anos atrás, jamais imaginei que teria a chance de conhecê-lo. Sorri ao reconhecer textos que reli em seus livros, sorri porque foram poucos os que eu realmente guardei.

Em 2010 tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e a honra de entregá-lo um texto meu. Uma vez me disseram que ao conhecer alguém que admiramos podemos nos decepcionar, por não ser exatamente como esperávamos, respondi que preferia correr o risco e, quem sabe, entender o que enxerguei e quem a pessoa realmente era.

(Ele autografando quase todos os meus livros)

Esse cronista não só foi simpático ao me conhecer, mas se deu o trabalho de me escrever uma semana depois opinando sobre meu texto, texto que eu havia escrito sobre ele (o texto). No caminho para o lançamento de seu livro mais recente, Meio intelectual, meio de esquerda, disse a meu pai que sabia que ao lhe falar sobre o e-mail ele se lembraria de mim, mas que ao me ver, logo de cara, não e que eu não me importava com isso.

Depois de abraçar ao pai e lhe autografar um livro, Antonio me viu e disse, "Becka, que bom que você veio". É por simples momentos assim que eu prefiro correr o risco de conhecer pessoas que admiro de longe. E se antes de conhecê-lo já me divertia, aprendia, ria, com seus textos, hoje eu os indico mais do que nada.


Ele e meu pai podem discutir o quanto quiserem, mas no quesito "Meu escritor preferido" eles dividem o primeiro lugar no pódio junto ao Nicholas Sparks.