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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crepúsculo, não!

A trama começa como qualquer outro romance. O casal principal se encontra e o livro prossegue comentando o efeito de Edward sobre Bella, mesmo que, até então, o contato deles seja mínimo. Ela se encanta com ele quando o vê pela primeira vez.

Em determinado momento, não muito distante do ínicio do livro, Edward adverte sua presa sobre o fato de que qualquer proximidade entre eles é uma decisão errada. Que o melhor para ela é não ter contato com ele, nunca. Ele afirma que pode muito bem ser o vilão e não o mocinho da história, com essas exatas palavras.

No decorrer da história, Bella descobre os reais motivos pelos quais Edward tanto afirma ser uma ameaça à segurança dela, mas, ainda assim, por ele ser *insira aqui um dos vários elogios usados para defíni-lo ao longo do livro*, Bella decide que, independente do que ele seja, mesmo que um monstro, ela não se importa. Ela escolhe por não temê-lo. Porque, também, a idéia de não tê-lo por perto a consome como se sua vida fosse realmente acabar caso ele não estivesse mais ali.

Ao se envolver inconsequentemente com Edward, ela coloca não apenas sua própria vida em risco, mas também de seu pai e mãe. Após se tornar parte de uma brincadeira de caça ao rato para aquele que seria um vampiro do mal, Bella quase morre, sendo apenas livrada do veneno que a transformaria em vampira para que a trama não acabe ai.

Edward diz que a partir daquele momento ela é a vida dele. Que ele jamais permitirá que algo ruim aconteça com ela. Até que na segunda parte da saga ele a abandona em Forks, "para seu próprio bem". Abandona-a enquanto ela continua sendo caçada por vampiros do mal e também coloca, sozinha, a própria vida em risco. Faz isso em uma tentativa de chamar atenção daquele que escolheu deixá-la.

Stephenie Meyer teve a capacidade de escrever um "conto de fadas" no qual tudo se encontra às avessas. Aquele que representa uma ameaça à vida da personagem principal é por quem ela se apaixona de forma completamente avassaladora. Aquele que se mostra diariamente preocupado com sua segurança e felicidade é por quem ela é incapaz de sentir nada mais além de plena amizade.

Pela primeira vez em seus livros, Meyer é capaz de escrever algo real e não distorcido, quando o mocinho sofre pela falta de reciprocidade da mocinha, porque a mocinha busca, na verdade, o amor daquele que oferece risco à sua vida, aquele que a abandona a própria sorte, aquele que a deixa para trás. Quanto mais apanha, mais quer. Genial.

Quando Bella tem que escolher entre ficar ao lado daquele que esteve ao seu lado o tempo todo, quando ela egoístamente (palavras da autora) manteve sua companhia por saber que sem ela voltaria ao estado depressivo em que ficou ao ser abandonada ou ir até a Itália para salvar a vida daquele já muito citado, ela decide por (também) abandonar Jacob e correr para que Edward não seja assassinado pelos vampiros que se encontram em Roma.

Se fosse apenas uma história, mais um livro, mais um filme, eu jamais me daria o trabalho de lê-lo e ainda mais redigir críticas à respeito, mas, tendo o efeito que tem sobre meninas adolescente (e não tão adolescentes), é impossível ignorar a quantidade de absurdos passados pela saga.

Então, por favor, absorvam cada "ensinamento" passado de forma contrária. Não se envolva com quem representa malefícios; em momentos cruciais não abandone quem esteve ao seu lado sempre cuidando de você; sua vida não acaba quando um relacionamento acaba; não escolha o que gosta de você só porque ele gosta de você, mas, com certeza, não escolha o que não gosta.

E eu paro por aqui, ler a outra metade da saga seria um esforço grande demais para o qual nem minha vontade de ter mais críticas a serem feitas aguenta.

terça-feira, 22 de março de 2011

#100factsaboutme

A tag está nos Trending Topics do twitter desde semana passada, a idéia é boa, mas dominar a timeline dos meus followers não me parece tão legal assim. Por isso vou postar os 100 fatos aqui, mantendo o limite de 140 caracteres que eu teria no twitter. Justo?

1. Nunca gostei de ser chamada de Re, por ser apelido para Renata, Regina, Rebeca. Por isso gosto tanto do Becka. Só pode ser de Rebeca!
2. Eu não tenho Cupaiolo no nome. É o sobrenome do meu pai e eu acho lindo. Nunca gostei de Medeiros Correia, por isso usava o Fernandes.
3. Eu sempre fui apaixonada por cachorros, mas só fui ganhar a MINHA mesmo quando tinha 10 anos. Passei 2 anos pedindo por ela.
4. Eu falo inglês desde os 11 anos e fico super feliz quando pessoas passam por mim na rua conversando em inglês. Eu nasci para falar inglês!
5. Eu tenho algumas manias de organização. Odeio que tirem meus DVDs da ordem (ordem de compra), por exemplo.
6. Eu tive meu primeiro blog aos 12 anos. Ele e os vários que vieram depois nunca deram certo. Até criar o Pensamentos Aleatórios em 2006.
7. Quando era criança e ia para festinhas de amigos meus pais me proibiam de tomar fanta laranja por causa do corante e minha bronquite.
8. Aos 8 anos operei de apendicite. Fiquei 3 dias no hospital e levei 6 pontos.
9. Pouco depois de me recuperar da cirurgia comecei a ficar muito doente. Levamos um ano para descobrir o que era, fui em 13 médicos.
10. Eu tive Fibromialgia, que não tem cura, mas depois de um ano de muito sofrimento simplesmente deixei de ter.
11. Até os 10/11 anos eu só ouvia Sandy&Jr, BSB, Nsync, etc. Isso até ver o clipe de In the End do Linkin Park e gostar MUITO.
12. Eu quase reprovei os 3 anos do Ensino Médio.
13. CSI Las Vegas estreiou quando eu tinha 10 anos. Meu pai me proibiu de assistir e eu assistia escondida. Era minha série preferida.
14. Eu cresci tendo muito mais amigOS. Minha mãe me vestia com vestido e meia calça, mas no fim eu batia figurinha no chão com os garotos.
15. Eu já fui apaixonada pelo Selton Melo. Isso até assistir O Cheiro do Ralo.
16. Eu comecei a escrever textos/crônicas aos 12 anos.
17. Odeio bebida alcóolica, a única vez que bebi foi UM gole de Stella Artois que meu irmão me "fez" tomar.
18. A minha loja se chama Euquifizz porque comecei fazendo camisetas e me perguntavam "nossa, onde você comprou?" e eu respondia: Eu que fiz.
19. Quando prestei vestibular aos 17 anos eu queria fazer Letras/Tradução, passei e meu pai não me deixou fazer.
20. Passei no Mackenzie para ADM e não contei para os meus pais. Tempos depois meu irmão me entregou.
21. Fui dar meu primeiro beijo caminhando para os 19 anos. Foi horrível.
22. Eu escrevo muito melhor quando estou triste, sofrendo. Muito melhor.
23. Eu fiquei em crise por duas semanas quando completei 20 anos. Eu me via menina, criança, despreocupada demais, para ter 20.
24. Meu filme preferido é um desenho. É A Nova Onda do Imperador. Já assisti 30 vezes.
25. Um dos meus sonhos de infância era me tornar poliglota. Ainda pretendo atingir esse sonho. Minha próxima língua será o francês.
26. Eu descobri que adoro dar aula. O salário era baixo, mas as aulas em si eu adorava.
27. Eu não sei o que realmente quero fazer da vida porque gosto de muitas coisas, ser professora, tradução, montagem de maquetes, artesanato
28. Eu sou o tipo de pessoa que prefere ser falsa e cumprimentar alguém que não gosto do que ser mal educada.
29. Sou viciada em séries. Depois que o Grissom saiu do CSI transferi meu amor e vício aos Law and Order do Universal.
30. Eu era uma negação na escola, só aprendia a matéria para a prova, nunca fui de reter o conhecimento. Não lembro quase nada do colégio =/
31. Eu nunca fui uma grande fã do Paralamas, conhecia algumas músicas, mas não era FÃ. Até ano passado, viciei.
32. Eu não consigo sair de casa sem fones de ouvido. Entre o barulho de SP e o meu, fico com o meu.
33. Eu fiz mais amigos durante minhas DPs na faculdade, com uma turma de MKT, do que com a minha mesmo, de RH.
34. Pois é, minha mãe me disse: Ao invés de fazer um ano de cursinho, faça dois de faculdade. - Fiz. Sou formada em Recursos Humanos ¬¬
35. Eu aprendi a fazer origami pelo youtube, só para me distrair e não pensar em quem não devia. Faço origamis desde janeiro de 2009.
36. Em 2009 fui ao show da Colbie Caillat "arrastada" por um amigo, hoje os cds dela são uns dos que mais tocam no meu iPod.
37. Sou apaixonada por quatro bichos não-"convencionais": esquilos, pinguins, capivaras e lhamas.
38. Tenho mais de 10 pinguins (pelucia/madeira/pedra/plástico) no meu quarto.
39. Se o original de um livro é inglês, faço questão de ler o original.
40. Tenho todos os livros do meu escritor preferido, Nicholas Sparks.
41. Já fui da minha casa até o outro lado da cidade carregando 10 livros para tê-los autografados por ele. Consegui!
42. Disse para meu pai que meu filho vai se chamar Nicholas (por causa do escritor), ele ficou enciumado.
43. Dentro do Brasil nunca viajei para fora da região sudeste. Acho isso um absurdo.
44. Minha única viagem para o exterior, até hoje, foi para a Argentina.
45. Sempre sonhei em morar no Canadá, em Montreal, mesmo sem conhecer.
46. Eu sou quem mais conhece meninas que participaram do TDB Capricho. 20, até agora.
47. Eu me acostumei a ler um livro por semana. Mudei para quatro livros por mês, o que não dá na mesma.
48. Acho Sonho de Valsa o melhor chocolate nacional.
49. Até 2008 eu só pintava as unhas de Renda ou Café+Rebu. Passei o Rosa Artístico da Colorama uma vez e desde então uso mil cores.
50. Eu seria mais feliz tendo um labrador, um yorkshire miniatura, um boston terrier. Ou pelo menos um deles. Se possível o Boston Terrier.
51. Sou enciumada com as "minhas" bandas. Algumas que poucos conhecem eu faço questão de não compartilhar. Sou chata, eu sei.
52. Encontrei no Weheartit um vício inútil que me faz feliz. Adoro as fotos do My Heart =)
53. Sempre sonhei em lançar um livro e estou, finalmente, trabalhando para que isso aconteça.
54. ODEIO pessoas que não sabem ficar sozinhas, que precisam estar namorando/ficando com alguém sempre.
55. Adoro tênis. "Deveria" ser louca por sapatos, mas adoro tênis, se pudesse teria vários pares de várias cores, marcas e modelos.
56. Acho lindo usar short com tênis :3
57. Sou gorda e branquela - faria muito sucesso em 1900. - HAHAHAHAHA
58. Para quem não sabe, eu confesso: Meu cabelo não é liso natural!
59. Eu queria ser igual meu pai, ele sabe tudo sobre qualquer coisa que eu pergunto.
60. Para mim, as vozes do Phil Collins e do John Mayer são incríveis. Cantando ou não.
61. Eu fui no show do The Beautiful Girls, de graça, à convite da banda e passei 3 horas com eles no camarim. Surreal.
62. Eu conheço a maioria dos amigos que fiz através da internet.
63. A música me rendeu muitas amizades especiais, Carol, Pedro, Felipe, Isa, que o digam!
64. Eu cresci no interior, mesmo tendo nascido em São Paulo. Hoje meu sotaque é uma mistura estranha de "caipira" e paulista.
65. Odeio filmes de terror e de suspense. Tenho memória fotográfica, depois essas lembranças me "perseguem".
66. Tenho aracnofobia. Tanto que choro e começo a tremer incontrolávelmente se uma aranha cruza meu caminho.
67. Sou alérgica a picadas de mosquitos. Talvez por isso eu seja uma das maiores fontes de alimento pros mosquitos de Pinheiros.
68. Adoro fazer presentes/surpresas/coisinhas aleatórias para as pessoas. Às vezes mais por mim do que por elas.
69. Eu me apaixonei pelo Rio de Janeiro, fui para passar 7 dias e acabei ficando 11.
70. Adoro conhecer a história das pessoas.
71. Eu sei músicas da Disney de cabeça até hoje. Amo desenhos.
72. Adoro colecionar coisas, hoje coleciono DomoS, Pinguins, coisas da coca-cola e outras coisas.
73. Tenho uma coleção de adesivos desde os 7 ou 8 anos. São mais de 3000 hoje e contando...
74. Estou, finalmente, aprendendo a usar vestidos com frequência. Para a felicidade da minha mãe.
75. Eu sempre quis ter uma irmã ou irmão mais novo.
76. Tenho meus Lego da época de criaça até hoje. Ganhei uma caixa nova no natal de 2009. Meus filhos brincarão com os meus Lego.
77. Ano passado conheci meus dois autores preferidos, o Antonio Prata e o Nicholas Sparks.
78. Sou horrível em exatas, fazer contas de cabeça só com números ridículos.
79. Quando criança só comia pizza de mussarela.
80. Odeio cebola. Pizza Portuguesa só sem cebola. Cebola é do inferno!
81. Tomate e palmito são incríveis. - Deu fome!
82. Quando criança eu não comia ovo frito, minha mãe uma vez fritou um ovo de codorna para mim.
83. Eu e meu irmão somos netos e sobrinhos únicos por parte de pai, crescemos tendo tudo que precisávamos e, quase, tudo que queríamos.
84. Eu adoro o Penauts/Snoopy. Só não sei se mais pela história deles ou a história do autor.
85. Quando eu tinha uns 12 anos tive um "namoradinho de e-mail". A gente perdeu contato e nunca mais nos falamos.
86. Eu não consigo deixar o esmalte nas unhas descascando, é horrível! Começa a sair eu já tiro tudo. Ou pinto de novo ou deixo sem nada.
87. Eu não sei tocar nenhum instrumento. Já toquei flauta doce, mas enlouquecia minha cachorra.
88. Eu sempre acredita muito e confiava muito nas pessoas. Isso até 2009. Hoje sou praticamente outra pessoa.
89. Às vezes me incomoda não ter ninguém, mas confiar em alguém de novo é ainda mais difícil.
90. Adoro músicas que fazem TOTAL sentido para mim. Ouço mil vezes. Como se tivessem escrito elas para mim.
91. Eu gosto de ter nascido em 1990. Em 2000 eu tinha 10. Em 2010, 20. E assim para sempre.
92. Eu chorei quando o Senna morreu, mesmo com só 4 anos. Odiava F1, mas assistia por causa dele.
93. Chorei quando o Claudinho (& Bochecha) morreu. Eles sempre foram humildes demais para sofrerem uma tragédia dessa.
94. Adoro banana amassada com leite condensado e Nèston. Lindo!
95. Parmeggiana é, oficializado por toda minha família, meu prato predileto.
96. Flocos sempre foi meu sabor preferido de sorvete.
97. Eu tenho o joelho todo marcado de quedas na infância, usava bota ortopédica e tinha os joelhos para dentro, corria e caía. (y)
98. Acho pijama lindo, mas adoro dormir com camisetonas antigas. É confortável, dá uma sensação de "segurança" até. #aloka
99. Tem algumas coisas que eu ouço desde "sempre", como: Simple Plan, Linkin Park, PWT's, John Mayer. E pra sempre.
100. Ainda vão usar essa lista contra mim no futuro. Eu sei :~

CHEGA! Esqueci alguma coisa? Me falem ;)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eu sinto e sinto culpa

Eu sei que o que eu sinto quando nos vemos não deveria ser sentido. Talvez não por mim, pelo menos. Mas eu sinto e sinto sempre. E me sinto culpada, porque é como se eu gostasse de você mais do que deveria. E qualquer coisa a mais do que se deve parece errado e por isso me sinto culpada.

E eu acho que o culpado é você, afinal, é quando estou com você que eu sinto essa culpa, é quando me esforço para agir como se você fosse só mais um, mesmo que não seja, mesmo que talvez ninguém perceba a atenção a mais, talvez porque ela só me pareça a mais porque eu sei que é.

Eu acabo ficando sempre sem saber o que fazer, como não agir demais, como não ser indiferente demais, como me convencer de que eu não fico tão feliz de ter você ali, do meu lado. Às vezes eu até sinto que não sou só eu, que a idéia não parece “não tão ruim” só na minha cabeça, parece que em alguns momentos você também luta contra tudo o que eu luto quando passamos um tempo juntos.

O pior é saber que considerar que com o passar do tempo o sentimento vai sumir não me ajuda em nada, o tempo passou, o tempo passa a tanto tempo e a cada tempo junto o sentimento se faz presente.

Enquanto eu não te ver feliz ao lado de outro alguém talvez ele nunca passe. Talvez enquanto um de nós não assumir e aceitar que o outro carrega a mesma coisa e optar por tentar, esse sentimento não vá passar. Talvez ele nunca passe. Talvez ele não deva passar. Talvez você seja sempre a única pessoa de quem eu sempre gostei mais do que deveria.

E quem sabe isso não seja tão ruim, quem sabe isso seja até bom, quem sabe você descobre que também gosta de mim mais do que deveria e a gente se goste mais do que devemos juntos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novo Lar

No natal de 2009 meu presente para minha avó paterna (e, (in)felizmente, a única que tenho) foi um quebra-cabeça de 1000 peças com uma imagem da Torre Eifel. Já que montar quebra-cabeças sempre pareceu loucura, seja pelas imagens que não facilitam ou pelas milhares de peças, eu achei na idéia de dá-lo de presente um motivo para tornar a montagem sensata.


Meus planos para o natal de 2010 incluíam um quebra-cabeça de 1500 peças para o meu avô paterno. Em junho comprei o quebra-cabeça e passei a montá-lo calmamente, sabendo que dezembro estava longe e que me sobrava tempo para terminá-lo, moldurá-lo e dá-lo de presente.

Com o tempo a imagem foi se tornando mais difícil e meus esforços para completá-lo mais raros. Cheguei ao mês de dezembro faltando cerca de um 1/3 para terminar. No dia 11 de dezembro, meu avô, que estava internado em um hospital há algumas semanas, sofreu uma parada cardíaca e foi redirecionado para a UTI onde já havia passado alguns dias anteriormente.

Durante dois anos, aproximadamente, meu avô morou em uma Clínica para idosos, sua idade avançada (quase 83) e a doença de Parkinson, faziam com que seus cuidados fossem muitos, precisando de atenção diária e constante. Nas visitas que o fiz fiquei triste ao vê-lo ali, porque gostaria de poder tê-lo por perto, cuidar dele, como sei que toda minha família sentia. "Ao passar algumas horas aqui fico incomodada, enquanto ele passa o dia todo, todos os dias, aqui. Nossas visitas são as boas horas do dia dele, isso faz valer a pena", era o que me fazia passar por cima do mal-estar e ir até lá por ele.

Quando ele foi internado eu me vi completamente incapaz de ir ao hospital vê-lo. Eu o via na clínica, na cadeira de rodas, mas bem, conversando, cantando suas músicas antigas e novas, as quais não escrevia nunca, mas sempre lembrava para cantar para nós quando íamos visitá-lo. Ir ao hospital era sinônimo de vê-lo mal, cheio de aparelhos a sua volta e cuidados muito maiores do que os de antes. Me senti egoísta, mas sabia que vê-lo ali me faria um mal insuportável.

No dia 11 de dezembro eu fui ao hospital. Eu vi meu "velhinho", como eu o chamava, estava na UTI, entubado, inconsciente. Inconsciente não, dormindo, porque sei que ele teve consciência do meu choro alto por ele. Sei que sentiu meu último carinho em seus cabelos brancos. Ele morreu menos de uma hora depois de meu pai ter me mandado para casa.

Eu terminei o quebra-cabeça no último dia 6. Confesso que chorava enquanto encaixava as últimas pessoas, sozinha em casa, sofrendo por saber que ele nunca teve a chance de saber todo o tempo que eu gastei me dedicando a fazer algo para ele. Quando coloquei a última peça, duas e meia da manhã, fiquei olhando aquela imagem e pensando. Pensando.

Pensei: Isso é lindo demais! Todo esse azul, esse castelo maravilhoso. Tão lindo. Parece o céu. É isso, é o ceu, esse castelo é a casa de Deus, esse castelo é onde meu avô mora agora, em um lugar lindo assim.


O quadro vai ficar pendurado na sala da minha casa, o presente que era de mim para ele, virou dele para mim. Meu medo de olhar para ele e sofrer, passou. É uma lembrança constante de que foi melhor assim, de que ele está em um lugar lindo, muito melhor.

Obrigada, vovô. Obrigada porque todo dia 5 de março eu era seu presente de aniversário, do dia 6. Sua única neta, "a menina mais bonita" que você disse ter visto na vida, mesmo que nunca tenha sido verdade, eu sempre amei ouvir isso de você, desde criança. Obrigada pelo jeito com as palavras que você passou ao meu pai e dele para mim. Obrigada, velhinho, por ter me amado e por ter me deixado te amar.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Eu e você" não somos "nós"

Nós completamos nossas solidões. Eu a sua e você a minha. Mesmo que não estejamos juntos, mesmo sabendo que a chance de um dia estarmos é igual a nada.

E eu sei que tenho você para suprir minhas carências mais bobas, aquela necessidade de uma mensagem no celular no meio do dia, só para me dizer algo besta, só para não dizer que estava pensando em mim. Eu sei. Sei que mesmo tendo você para suprir minhas carências mais bobas, eu não estou te usando. E mesmo eu estando aqui para ouvir suas histórias, suas paixões por atrizes que não tem nada a ver comigo, eu sei que você também não está me usando.

Não foi um combinado, aliás, isso nunca foi dito, só agora me dei conta e por isso estou dizendo. Mas esse nosso não-relacionamento, seja pela distância, seja porque no fundo tudo parece tão perfeito talvez só porque não é totalmente real, dá certo assim.

Nós sentimos falta um do outro e, sentimos, na verdade, falta de outras pessoas. E já que elas nos faltam aprendemos a encontrar no outro aquilo que esperamos encontrar em alguém. E por mais que eu realmente sinta falta de alguém, hoje eu me sinto bem nessa nossa relação. Algumas pessoas não entendem, seja porque não estamos perto, porque não estamos juntos, porque não somos "nós", mas ajuda a preencher o meu vazio. E ajuda a preencher o seu.

Um dia os alguéns que tanto nos fazem falta vão aparecer. Bom seria se aparecessem ao mesmo tempo, mas sei que não vão. Ainda assim eu fico tranquila, porque a sua alguém vai ser melhor do que eu tento ser pra você. E o meu alguém vai ser o mesmo para mim. Talvez não na personalidade, na forma de tratar, mas só por estarem perto e terem o mesmo sentimento que nós dois aprendemos a construir de longe.

E eu te agradeço, porque com você eu aprendi a ser ciumenta, a tentar não ser, a me preocupar e confiar. Mesmo que a preocupação às vezes seja inútil e a confiança nem sempre mantida. Você me ajudou a viver um relacionamento mesmo não estando em um. E isso me faz te adorar muito, mesmo longe, mesmo sem estarmos juntos, mesmo sem sermos "nós". Ser "eu e você", hoje, me basta.

domingo, 3 de outubro de 2010

Colocando as cartas na mesa

Toda vez que eu sei que vou te ver eu tomo a decisão de não ser simpática quando isso acontecer. E a culpa é sua, você me faz decidir por isso. E então eu te vejo. E eu sou simpática. Não simplesmente por eu ser realmente assim, mas porque é isso que você aflora em mim quando estamos juntos. Seu sorriso, seu toque, a forma como fala comigo, me obrigam a ser assim.

E depois, quando você vai embora, quando eu vou embora, eu me odeio, eu te odeio. Eu sei que as coisas vão continuar sendo como sempre são, tudo é lindo até nos separarmos. Até aquelas horas juntos ficarem na lembrança e nós dois voltarmos para os nossos mundos que não incluem o outro.

A gente meio que finge que não se conhece, e quem foi que disse que a gente se conhecia?

Eu vejo que isso é, na verdade, um jogo seu. A parte do ódio que eu sinto toda vez que a gente se despede e parte, eu até gosto desse teu jogo. E você sabe que eu também jogo. E a cada vez aprendo mais as tuas regras e aprendo a impor as minhas.

Algumas regras pessoais eu esqueço ao te ver (talvez por isso o ódio de mim quando vou embora), algumas regras suas eu não entendo (talvez por isso o ódio de você quando vou embora), mas ao mesmo tempo o jogo me faz bem.

Eu sempre me prometo que vou parar de jogar esse nosso jogo secreto, mas acabo cedendo toda vez. Eu, provavelmente, só vou colocar as cartas na mesa quando você decidir fazer o mesmo ou quando você decidir abandonar a brincadeira saudável que a gente inventou sem nem ao menos combinar.

E eu sei que um dos maiores prazeres de um jogo é ganhar, mas eu adoraria um empate. Onde nós criamos novas regras, você fazendo parte do meu mundo, eu fazendo parte do seu. E nós dois indo embora juntos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desvio

Eu não sei o que é mais difícil, digitar, mesmo com muita dor no braço, em um pequeno teclado de um smartphone, no escuro, para poder escrever sobre você ou ter que me policiar para manter você longe dos meus pensamentos, da melhor forma que eu puder, para me privar da necessidade de escrever, sobre você.

Mas mesmo me policiando, eu nem sempre tenho êxito. Um dia tem 24 horas e eu passo tantas delas acordada que a quantidade de pensamentos a nosso respeito é imensa.

Eu penso sobre ir embora, sobre o medo de não te ver antes de partir, o receio de me arrepender caso isso aconteça, medo de que isso não importe, para você.

Faço considerações sobre minhas atitudes, sobre as suas decisões, sobre como as coisas poderiam ser diferentes caso eu fosse mais forte. Ou eu fui forte até o ponto onde ser forte já não não adiantava mais?

Por que você não ficou para me explicar? Eu precisava tanto de alguém para me reerguer, eu precisava tanto de você para me ajudar a consertar tudo o que nós erramos.

E eu penso nisso tudo até quando decido que não vou pensar, eu sinto você nas situações mais aleatórias, você sempre esteve aqui e qualquer lugar que eu vá é só mais um motivo para pensar em você.

E o que eu mais penso, o que eu mais sinto, é que eu sinto muito. Sinto muito se hoje eu me sinto assim, se ontem eu me sentia assim, se eu vou sempre me sentir assim. Sinto muito se fui eu quem levou o nosso caminho certo a esse desvio torto. E se não fui eu, eu sinto muito por fazer parte desse desvio.

E torço para que tudo isso seja somente um desvio torto, que tenha nos tirado de um longo caminho tão certo. Mesmo que eu vá embora, mesmo que a gente não se veja antes de eu partir. Mesmo que eu nunca vá.

Uma parte de você sempre vai comigo e um pedaço de mim sempre será seu.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

É minha culpa

É minha culpa.

Se a criança pedindo dinheiro no farol não tem o que comer hoje, a culpa é minha. Se pela rua existem papéis jogados pelo chão, em todo lugar, a culpa é minha. Se o prefeito eleito em minha cidade é, na verdade, mais um ladrão, a culpa é minha. Se um deficiente moral estaciona na vaga de deficiente físico, a culpa é minha.

Minha culpa, minha máxima culpa.

Fui eu quem não entregou um lanche a criança. Eu quem viu a pessoa ao lado jogar o papel no chão e se omitiu. Eu quem não lutou por um resultado melhor na eleição, ou por nova eleição com novos candidatos, não custava tentar. Fui eu quem não fez o bípede de saúde física em perfeito estado estacionar em outra vaga.

Fui eu quem não reclamou quando a senhora entrou no trem e aqueles que estavam em seu lugar de direito fingiram que não perceberam. Até que alguém, sentando em um assento marrom, dispôs seu lugar. Foi quando os que se encontravam no assento cinza fizeram cara de surpresa, fingindo não ter se dado conta da presença da senhora até então.

Fui eu quem viu pessoas passando na frente da gestante no caixa do supermercado, não fui eu quem ergueu a voz por seu direito.

Eu que não doei roupas no inverno, nem brinquedos no dia das crianças e no natal.

Eu que não fiz muito no pouco. Eu que não fiz o mínimo. Sem lanche, sem direito, sem atitude, sem voz. Repasso o que me foi dito por meu pai, “Indignação sem ação é indigno”. É minha culpa, minha máxima culpa.

Enquanto não houver luta, não houver atitude, não houver voz, não houver ação, vindo de mim, a culpa é minha. Minha culpa, minha máxima culpa.

sábado, 21 de agosto de 2010

Un-heart it very much!



"Hate is a strong word,
but I really, really, really,
don't like you".
Hate (I really don't like you) - PWT's

Odeio o trânsito de São Paulo e o barulho que ele causa dentro e fora da minha cabeça. Odeio meu fone de ouvido que não me impede 100% de ouvir esse barulho todo. Odeio motoqueiros que não só costuram em meio aos carros, mas levam retrovisores juntos sem dar a menor importância.

Odeio menininhas fáceis que se jogam para cima de caras legais, que em meio a tantas menininhas facéis deixam de ser tão legais assim. Odeio a idéia de sentar na calçada, numa mesa de boteco em meio a poluição, barulho e trânsito apenas para tomar uma "breja". Odeio salto alto e roupa colada para sair com homens que se vestem como maloqueiros de calças largas que cabem dois deles ali dentro. Odeio roupas caras para manter as aparências, odeio gírias e trejeitos para se encaixar.

Odeio música ruim na tv, no rádio, ao invés de Chico Buarque e todo resto que há de bom para se ouvir. Odeio mulheres semi-nuas (peladas!) na tv no domingo à tarde, ou em qualquer outro horário.

Odeio que me chamem de amor, não, não sou seu amor, sou sua amiga, sua conhecida, sua qualquer-outra-coisa-que-não-amor. Odeio que não entendam o que é o amor. Odeio pessoas que não sabem ficar sozinhas.

Odeio pessoas iguais, roupas iguais, vidas iguais, atitudes iguais, vidas vazias iguais. Odeio padronização. Odeio falta de discernimento, falta de coragem, falta de vontade própria, falta de dizer o que pensam, falta pensar sozinho.

Odeio esse mundo mesquinho. Odeio odiar tanta coisa, mas é o que existe, igualdade vazia, cabeça vazia, carteira cheia, sorriso cheio e coração vazio.