domingo, 6 de junho de 2010

Há motivos?

"E eu vejo nos seus olhos
uma paz interior
quando você sorri"
Então Vai - Scracho

Ela nunca soube dizer ao certo o que fez nascer tudo aquilo. Se dissesse, "O sorriso", estaria mentindo. Não somente ele. Talvez "Os olhos", mas ainda assim seria injusto com todo o resto que também foi culpado por seus pensamentos. Por seus sentimentos.

O sorriso trouxe a sinceridade. Foi assim que ela o descreveu desde o ínicio... "Vejo sinceridade, é de verdade o sorriso que ele oferece às pessoas". A sinceridade trasparecida ali sempre foi acompanhada pelo brilho no olhar. Não o brilho nos olhos dela ao vê-lo, mas a chance de registrar o brilho dos olhos dele. E poder lhe dizer isso. "Seus olhos brilham muito". Ela sendo capaz de superar a timidez e lhe dizer isso olho no olho. Brilho no olhar com brilho no olhar.

A mordida na boca. Igual a dela. A mania que ela tem de, distraidamente, morder o lábio inferior enquanto se concentra em algo. Ele fazendo igual. Substituindo seu sorriso pela mania dela, pela mania comum deles.

Mas até ela, sendo conhecedora de seus sentimentos, princípios, se sentiria mal por dizer que foi isso. Um sorriso. Um brilho no olhar. Seu braço. Suas costas. Sua barba. Se sentiria mal se enxergasse apenas isso. Mas não, sempre foi mais.

A graça. Seja se mexendo sem parar, fazendo qualquer um que pare para o "assistir" por 2 minutos rir. Sorrir. Isso. A capacidade de fazê-la sorrir. O sorriso besta que vai de uma orelha à outra, assim como sempre é o dele. O sorriso das "covinhas". O dele, não o dela.

A despreocupação com opiniões dos que não o conhecem, que julgam sem saber, sem tentar entender. A decisão de viver o momento. A seriedade. Responsabilidade com jeito de menino, a forma de receber os novos, de saudar os antigos.

A vontade que ele cria nela, mesmo de longe, de estar perto de novo.

domingo, 30 de maio de 2010

O Encontro

“A vida é a arte do encontro,
embora haja tanto desencontro
pela vida.”

Vinícius de Moraes

Em meio a um abraço desajeitado e silencioso ela disse:

- Oi – e sorriu.

Ele sorriu de volta com o canto da boca. Voltaram a ficar em silêncio. Ele sugeriu que caminhassem um pouco.

Lado a lado eles seguiram calmamente pela avenida, conversando besteiras e tentando fingir que aquele momento era apenas mais um, como outro qualquer, mesmo os dois sabendo que não.

Em meio ao balanço natural dos braços eles sentiam suas mãos se tocarem e ela, branquinha, ficava levemente corada a cada toque. Mas nenhum dos dois se propunha a segurar a mão do outro nem tão pouco se afastar para que os choques deixassem de acontecer pelo caminho.

Sentaram-se em um banco e ficaram em silêncio. Ambos assistindo a movimentada avenida e ao mesmo tempo perdidos em seus pensamentos e mundos interiores.

Ele perguntou o que ela estava pensando, ela hesitou, mas sabia que a melhor resposta seria a resposta verdadeira, levemente desviando o olhar ela disse:

- Eu sonhei com isso, assim. Por dias, logo no começo. Mas depois os sonhos deixaram de existir e eu achei que era para que a minha vontade de que os sonhos se tornassem reais deixasse de existir também. Como um aviso.

Ele a olhava, enquanto ela fitava o chão. Ele ficou pensando em como devia ter sido difícil para ela assumir aquilo, assumir que tanto tempo antes ele tinha feito parte dos sonhos dela:

- Eu também sonhei. Sonhei que um dia eu ia te pedir algo e você diria sim com um sorriso nos lábios.

Ela não sabia se esperava ele completar ou se perguntava qual era o pedido. Escolheu por se manter em silêncio. Ele se sentou um pouco mais perto dela e ainda assim ela buscava não olhá-lo, até que ele disse, estendendo a mão em sua direção:

- Você me daria a honra de segurar sua mão?
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Texto escrito em 14.01.10 - Como o tempo passa...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quem é você?

Quem é você que destrói minhas lembranças?
Que muda meus olhos e me faz enxergar diferente,
que estraga lembranças, que arruína verdades.

Agindo como se me conhecesse sendo que nem
eu o conheço, não o reconheço, não sei quem é você!
E isso me consome, me dói. É injusto. É errado.

Quem é você confundindo a pouca sensatez
que me resta, a pouca consciência, a pouca verdade?

Quem é você?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A free hug, anyone?

Depois de pouco mais de dois anos morando em São Paulo, eu realmente sou sincera quando digo que fico bem sozinha. Não quer dizer que eu prefira ser sozinha, ou que escolho não ter amigos aqui, mas as circunstâncias levaram a isso de alguma forma e eu aprendi a aceitar.

A maior parte do tempo eu nem me importo, ou então nem ao menos me dou conta do fato. Não é como se ver amigas passeando e conversando pela rua me faça mal, eu vejo, mas não me afeto. Ou que sair sempre sozinha para resolver coisas, por mais banais que sejam, me incomode.

Até porque eu adquiri fones de ouvidos como ótimas companhias. Me privam do barulho da cidade, me privam até de certos pensamentos, por mais que esses venham do mundo de dentro, me deixam em paz.

Mas nem todos os dias são dias de tranquilidade. Nem todos os dias eu consigo ser feliz sozinha, nem sempre é fácil passar o dia todo sem ter alguém para andar ao meu lado e saber quem eu sou e se preocupar comigo.

E esses são os dias difíceis que eu sofro e não sei pra onde correr, porque não tenho pra quem correr. E a coisa mais simples pra amenizar tudo isso é um abraço, talvez um "Free Hugs" em plena Avenida Paulista pudesse resolver, mas um abraço vindo de alguém que eu possa chamar de "amigo(a)" faz muito mais sentido pra mim.

Hoje é um desses dias. E eu aceito qualquer um dos tipos de abraço.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Conto de Fadas

"I'm not a princess.
This ain't a fairytale"
White Horse - Taylor Swift

Eu não acredito em contos de fadas. Muito menos em filmes e livros românticos. É surreal demais pra mim. O que não quer dizer que não ache lindo e que torça para que em algum dia surreal alguém me prove o contrário.

Até porque, ironicamente, me vejo como uma protagonista desse tipo história. A menina doce, boazinha, que quer sempre o melhor para todo mundo, mesmo que muitas vezes isso represente abrir mão do que é melhor pra ela.

Aquela que sofre com a dor dos outros, e não porque goste de sofrer, mas apenas porque não consegue não se importar com os outros e se sente incomodada com as atitudes de outros que fazem pessoas importantes para si sofrerem. Porque não aguenta mais ver pessoas sofrendo pelas atitudes erradas de outros.

Aquela que adora fazer um carinho, um agrado, que busca sempre demonstrar o valor que carrega dentro de si por cada pessoa que, de alguma forma, a afeta positivamente. Que adora andar de mãos dadas ou oferecer um abraço calmo que traz consigo muito mais do que parece pra quem não faz parte dele.

A menina que passa a narração toda achando que seu final feliz nunca chegará, porque escolheu acreditar nisso. Mas que no fundo sabe que, independente de qualquer um, por mais que os caminhos sejam difíceis, cheios de pedras e espinhos, todo mundo tem um final feliz.

Eu sei que o meu um dia chega, mesmo que isso não signifique viver "felizes para sempre" o tempo todo. Até porque disso eu não faço tanta questão. Afinal, é nas dificuldades que aprendemos a ser fortes.
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Texto escrito no dia 27/01. Num ônibus. No celular.