Recentemente perguntei ao meu pai, que é escritor, como ele reage quando uma pessoa se mostra encantada por algo que ele escreveu, cheia de elogios. Ele me respondeu, "Com vergonha", e riu. Só isso já fez com que eu me sentisse melhor, afinal, essa é a exata reação que tenho quando alguém decide elogiar algo escrito por mim.
Comentei com ele sobre uma determinada pessoa e os comentários tecidos por ela a respeito daquilo que escrevo, como escrevo. Foi então que ele me disse, sério: "Você é o Antonio Prata dele". E quem sorriu dessa vez fui eu.
Antonio Prata é, como sempre faço questão de dizer, o motivo pelo qual eu escrevo hoje. Foi quando comecei a ler suas crônicas, ainda na Revista Capricho, anos atrás, que comecei a escrever.
Talvez eu não inspire a pessoa que citei a tal ponto, talvez não a inspire de forma alguma, mas ainda assim tenho influência sobre a vida dela a partir do momento que ela decide ler o que eu escrevo. Mesmo que eu não consiga imaginar que alguém olhe para mim como eu olho para o Antonio, para o Nicholas Sparks, como sei que muitas pessoas olham para a Tati Bernardi ou qualquer outra pessoa cheia de talento. Como eu mesma olho para o Chico Buarque e seu talento para a música.
Mas, talvez, eu seja mesmo o "Antonio Prata" dessa pessoa, de outro alguém ou ainda tenha a chance de ser. E só esse "talvez" já me faz feliz, mesmo que eu possa ficar sempre no "talvez", mesmo que o "talvez" seja, na verdade, eu não ser. A chance de ser, sim, já me vale.
___________________________________________
A "inspiração" veio cedo (cedo de ontem), mas só consegui escrever às 2 horas da manhã (cedo de hoje).
E se comecei a escrever sobre isso por conta de um comentário doce sobre como escrevo, aproveito para fazer um agradecimento ao Antonio Prata que hoje, dia 24 de agosto, completa 33 anos e desde seus 20 e uns faz parte da minha vida.
Obrigada por me "ensinar" a escrever ou, melhor, por ter plantado em mim, com suas palavras, a necessidade incontrolável de escrever.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
Un-heart it very much!
"Hate is a strong word,
but I really, really, really,
don't like you".
Hate (I really don't like you) - PWT's
Odeio o trânsito de São Paulo e o barulho que ele causa dentro e fora da minha cabeça. Odeio meu fone de ouvido que não me impede 100% de ouvir esse barulho todo. Odeio motoqueiros que não só costuram em meio aos carros, mas levam retrovisores juntos sem dar a menor importância.
Odeio menininhas fáceis que se jogam para cima de caras legais, que em meio a tantas menininhas facéis deixam de ser tão legais assim. Odeio a idéia de sentar na calçada, numa mesa de boteco em meio a poluição, barulho e trânsito apenas para tomar uma "breja". Odeio salto alto e roupa colada para sair com homens que se vestem como maloqueiros de calças largas que cabem dois deles ali dentro. Odeio roupas caras para manter as aparências, odeio gírias e trejeitos para se encaixar.
Odeio música ruim na tv, no rádio, ao invés de Chico Buarque e todo resto que há de bom para se ouvir. Odeio mulheres semi-nuas (peladas!) na tv no domingo à tarde, ou em qualquer outro horário.
Odeio que me chamem de amor, não, não sou seu amor, sou sua amiga, sua conhecida, sua qualquer-outra-coisa-que-não-amor. Odeio que não entendam o que é o amor. Odeio pessoas que não sabem ficar sozinhas.
Odeio pessoas iguais, roupas iguais, vidas iguais, atitudes iguais, vidas vazias iguais. Odeio padronização. Odeio falta de discernimento, falta de coragem, falta de vontade própria, falta de dizer o que pensam, falta pensar sozinho.
Odeio esse mundo mesquinho. Odeio odiar tanta coisa, mas é o que existe, igualdade vazia, cabeça vazia, carteira cheia, sorriso cheio e coração vazio.
domingo, 4 de julho de 2010
Enquanto a vida vai...
"Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar"
O anjo mais velho - Teatro Mágico
O tempo passa, as coisas acontecem, mudam e eu continuo aqui. Cheia de palavras a dizer, tantas palavras já ditas, tantas outras escritas e guardadas. Totalmente perdida sem saber o que fazer com elas, como organizá-las em mim, como organizar você nelas.
As músicas ajudam, as músicas machucam, depende do dia, depende da sua ausência, da sua presença. As palavras chegam e pronto: as lágrimas seguem o mesmo caminho. Uma é consequência da outra, até mesmo na ordem contrária, choro e palavras. Palavras e choro.
E eu só queria dizer, só queria escrever, só queria não guardar mais: I meant every word.
Aqui do outro eu consigo me orientar"
O anjo mais velho - Teatro Mágico
O tempo passa, as coisas acontecem, mudam e eu continuo aqui. Cheia de palavras a dizer, tantas palavras já ditas, tantas outras escritas e guardadas. Totalmente perdida sem saber o que fazer com elas, como organizá-las em mim, como organizar você nelas.
As músicas ajudam, as músicas machucam, depende do dia, depende da sua ausência, da sua presença. As palavras chegam e pronto: as lágrimas seguem o mesmo caminho. Uma é consequência da outra, até mesmo na ordem contrária, choro e palavras. Palavras e choro.
E eu só queria dizer, só queria escrever, só queria não guardar mais: I meant every word.
sábado, 19 de junho de 2010
Cafuné
Eu me lembro como se fosse ontem. E talvez tenha sido, talvez essa sensação de o tempo não ter passado seja porque ele não passou. Talvez já faça tempo e ainda assim eu vivo como se fosse ontem. Como se fosse hoje. É confortável ter você em um passado tão próximo, mesmo que seja distante.
Você ao meu lado, seu sorriso tão perto de mim. O silêncio e a chance de te observar de perto. Cada detalhe, confesso, meus olhos atentos à cada detalhe seu. E sonhando acordada, eu me imaginei ali, minha mão em seus cabelos e eu te oferecendo, discaradamente, um cafuné que você nem me pediu.
Mas eu sabia que não poderia, que você, naquele momento, não entenderia. E eu não podia arriscar aquele momento, não daquela forma. Mas ainda assim eu me lembro, como se fosse ontem, de te olhar de perto e da vontade quase incontrolável de te oferecer um cafuné.
E quem sabe, um dia, eu possa fazer esse cafuné, sem que eu te ofereça, sem que você me peça, apenas o momento acontecendo como um dia eu sonhei acordada de vê-lo acontecer.
Você ao meu lado, seu sorriso tão perto de mim. O silêncio e a chance de te observar de perto. Cada detalhe, confesso, meus olhos atentos à cada detalhe seu. E sonhando acordada, eu me imaginei ali, minha mão em seus cabelos e eu te oferecendo, discaradamente, um cafuné que você nem me pediu.
Mas eu sabia que não poderia, que você, naquele momento, não entenderia. E eu não podia arriscar aquele momento, não daquela forma. Mas ainda assim eu me lembro, como se fosse ontem, de te olhar de perto e da vontade quase incontrolável de te oferecer um cafuné.
E quem sabe, um dia, eu possa fazer esse cafuné, sem que eu te ofereça, sem que você me peça, apenas o momento acontecendo como um dia eu sonhei acordada de vê-lo acontecer.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Carta à minha irmã mais nova
Gostaria de começar te pedindo desculpas, talvez esse pedido seja mais para calar minha consciência do que realmente fazer com que você me desculpe. Nos últimos anos (sim, anos) minha consciência pesa sempre que considero minhas atitudes em relação à você.
Me sinto negligente, ausente, me sinto culpada. Como irmã mais velha enxergo grande parte do que represento, e também do que deveria representar, para você. E pensando nisso é impossível não pensar em meus erros, no quanto eu queria ser melhor, não só por mim, mas por você e para você. A vontade de compensar em você a sensação que eu sempre tive pela falta de uma irmã mais velha para me ensinar tudo, ser meu exemplo e me ajudar a crescer.
E por mais que eu queira, todos esses anos, ser tudo isso para você eu me vejo falhando. E a cada palavra doce de como eu sou "a melhor irmã mais velha do mundo" eu me sinto, na verdade, "a pior irmã mais velha do mundo". Tenho medo que minha falta de comprometimento com você torne você alguém um "nível abaixo" do que você poderia ser se eu fosse, realmente, tudo que você enxerga.
Nas minhas lembranças você é, ainda, a menina de 11 anos que chorou no meu último dia no mesmo colégio. Que compartilhou comigo seus presentes vindos do Japão. Para mim você é aquela menininha. E tem sido difícil e estranho aceitar que você não é mais (só) aquela menina. Entender que aos poucos nossos assuntos vão se tornando mais parecidos e a diferença de idade menor.
E eu quero muito fazer parte desse crescimento, desse desenvolvimento, mesmo estando longe, ausente fisicamente. Penso em você muito mais do que conversamos e queria que isso fosse o suficiente, mesmo sabendo que não é.
Minhas vontades incluem ser realmente a irmã mais velha que vai ouvir seus problemas e te ajudar a solucioná-los, quem vai te ver entrar em uma faculdade pública em um futuro muito próximo e chorar de orgulho ao ver seu nome na lista dos aprovados por saber que você está se tornando alguém melhor do que eu sou. Eu quero isso. Quero ver você desenvolvendo todo o potencial que eu enxergo em você desde seus 11 anos.
Eu gostaria de te privar de muitas coisas que eu passei, mas querendo ver você crescer, amadurecer, sei que muitas delas você terá que enfrentar e eu espero ser capaz de estar ao seu lado, independentemente de estar fisicamente ao seu lado ou não. Eu quero ler seus textos, como fiz recentemente e poder repetir mil vezes: É minha irmã. Sentido muito orgulho, não por você ser minha irmã, mas por eu ser a sua.
Eu quero poder sempre te chamar de Pequena, mesmo sabendo que isso só quer dizer que você sempre será minha irmã mais nova e não falando da grande pessoa que você está se tornando.
Eu te amo, Pequena.
_____________________________________
Uma carta sincera, à pequena grande menina que desde seus 11 anos e hoje aos seus 17, me enxerga como sua irmã mais velha, mesmo não compartilhando o mesmo sangue, os meus pais, o mesmo lar, apenas o mesmo coração. Obrigada Thati, por me deixar fazer parte da sua vida completando sua família.
Me sinto negligente, ausente, me sinto culpada. Como irmã mais velha enxergo grande parte do que represento, e também do que deveria representar, para você. E pensando nisso é impossível não pensar em meus erros, no quanto eu queria ser melhor, não só por mim, mas por você e para você. A vontade de compensar em você a sensação que eu sempre tive pela falta de uma irmã mais velha para me ensinar tudo, ser meu exemplo e me ajudar a crescer.
E por mais que eu queira, todos esses anos, ser tudo isso para você eu me vejo falhando. E a cada palavra doce de como eu sou "a melhor irmã mais velha do mundo" eu me sinto, na verdade, "a pior irmã mais velha do mundo". Tenho medo que minha falta de comprometimento com você torne você alguém um "nível abaixo" do que você poderia ser se eu fosse, realmente, tudo que você enxerga.
Nas minhas lembranças você é, ainda, a menina de 11 anos que chorou no meu último dia no mesmo colégio. Que compartilhou comigo seus presentes vindos do Japão. Para mim você é aquela menininha. E tem sido difícil e estranho aceitar que você não é mais (só) aquela menina. Entender que aos poucos nossos assuntos vão se tornando mais parecidos e a diferença de idade menor.
E eu quero muito fazer parte desse crescimento, desse desenvolvimento, mesmo estando longe, ausente fisicamente. Penso em você muito mais do que conversamos e queria que isso fosse o suficiente, mesmo sabendo que não é.
Minhas vontades incluem ser realmente a irmã mais velha que vai ouvir seus problemas e te ajudar a solucioná-los, quem vai te ver entrar em uma faculdade pública em um futuro muito próximo e chorar de orgulho ao ver seu nome na lista dos aprovados por saber que você está se tornando alguém melhor do que eu sou. Eu quero isso. Quero ver você desenvolvendo todo o potencial que eu enxergo em você desde seus 11 anos.
Eu gostaria de te privar de muitas coisas que eu passei, mas querendo ver você crescer, amadurecer, sei que muitas delas você terá que enfrentar e eu espero ser capaz de estar ao seu lado, independentemente de estar fisicamente ao seu lado ou não. Eu quero ler seus textos, como fiz recentemente e poder repetir mil vezes: É minha irmã. Sentido muito orgulho, não por você ser minha irmã, mas por eu ser a sua.
Eu quero poder sempre te chamar de Pequena, mesmo sabendo que isso só quer dizer que você sempre será minha irmã mais nova e não falando da grande pessoa que você está se tornando.
Eu te amo, Pequena.
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Uma carta sincera, à pequena grande menina que desde seus 11 anos e hoje aos seus 17, me enxerga como sua irmã mais velha, mesmo não compartilhando o mesmo sangue, os meus pais, o mesmo lar, apenas o mesmo coração. Obrigada Thati, por me deixar fazer parte da sua vida completando sua família.
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