quarta-feira, 7 de abril de 2010

A free hug, anyone?

Depois de pouco mais de dois anos morando em São Paulo, eu realmente sou sincera quando digo que fico bem sozinha. Não quer dizer que eu prefira ser sozinha, ou que escolho não ter amigos aqui, mas as circunstâncias levaram a isso de alguma forma e eu aprendi a aceitar.

A maior parte do tempo eu nem me importo, ou então nem ao menos me dou conta do fato. Não é como se ver amigas passeando e conversando pela rua me faça mal, eu vejo, mas não me afeto. Ou que sair sempre sozinha para resolver coisas, por mais banais que sejam, me incomode.

Até porque eu adquiri fones de ouvidos como ótimas companhias. Me privam do barulho da cidade, me privam até de certos pensamentos, por mais que esses venham do mundo de dentro, me deixam em paz.

Mas nem todos os dias são dias de tranquilidade. Nem todos os dias eu consigo ser feliz sozinha, nem sempre é fácil passar o dia todo sem ter alguém para andar ao meu lado e saber quem eu sou e se preocupar comigo.

E esses são os dias difíceis que eu sofro e não sei pra onde correr, porque não tenho pra quem correr. E a coisa mais simples pra amenizar tudo isso é um abraço, talvez um "Free Hugs" em plena Avenida Paulista pudesse resolver, mas um abraço vindo de alguém que eu possa chamar de "amigo(a)" faz muito mais sentido pra mim.

Hoje é um desses dias. E eu aceito qualquer um dos tipos de abraço.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Conto de Fadas

"I'm not a princess.
This ain't a fairytale"
White Horse - Taylor Swift

Eu não acredito em contos de fadas. Muito menos em filmes e livros românticos. É surreal demais pra mim. O que não quer dizer que não ache lindo e que torça para que em algum dia surreal alguém me prove o contrário.

Até porque, ironicamente, me vejo como uma protagonista desse tipo história. A menina doce, boazinha, que quer sempre o melhor para todo mundo, mesmo que muitas vezes isso represente abrir mão do que é melhor pra ela.

Aquela que sofre com a dor dos outros, e não porque goste de sofrer, mas apenas porque não consegue não se importar com os outros e se sente incomodada com as atitudes de outros que fazem pessoas importantes para si sofrerem. Porque não aguenta mais ver pessoas sofrendo pelas atitudes erradas de outros.

Aquela que adora fazer um carinho, um agrado, que busca sempre demonstrar o valor que carrega dentro de si por cada pessoa que, de alguma forma, a afeta positivamente. Que adora andar de mãos dadas ou oferecer um abraço calmo que traz consigo muito mais do que parece pra quem não faz parte dele.

A menina que passa a narração toda achando que seu final feliz nunca chegará, porque escolheu acreditar nisso. Mas que no fundo sabe que, independente de qualquer um, por mais que os caminhos sejam difíceis, cheios de pedras e espinhos, todo mundo tem um final feliz.

Eu sei que o meu um dia chega, mesmo que isso não signifique viver "felizes para sempre" o tempo todo. Até porque disso eu não faço tanta questão. Afinal, é nas dificuldades que aprendemos a ser fortes.
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Texto escrito no dia 27/01. Num ônibus. No celular.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Duas Décadas

Crescer é complicado. Sempre é.

Quando era criança sofria com os comentários maldosos dos que estudavam comigo e com minhas notas ruins e acreditava que pior que aquilo, só não ter um sentimento recíproco do garoto bonitinho da minha sala.

Com o passar dos anos, me enxergar, quase que completamente, diferente de todos aqueles que estudavam comigo no Ensino Médio me passava uma insegurança muito grande. Minha auto-estima era praticamente inexistente e eu não tinha de onde tirar forças para acreditar que eu podia ser muito mais do que achava que era ou do que enxerga em outras pessoas e não em mim.

Quando completei 18 anos já estava morando em São Paulo e vejo que mudei muito nos últimos dois anos. Aprendi a ser menos apegada às pessoas. Sinto saudades, mas não me deixo consumir e afetar. Não sou mais a menina que caiu de paraquedas em sua cidade natal e enlouqueceu com esse novo mundo.

E ainda assim, crescer continua sendo complicado. Eu aprendi que posso não gostar de onde me encontro, mas que preciso viver porque o mundo continua a girar. Ainda existem pessoas que me lembram que nem sempre temos controle das situações, ou melhor, quase nunca temos esse controle. Que o meu papel é fazer aquilo que cabe a mim, seja em relação à alguém ou em como me proteger da imprevisibilidade que cerca as atitudes de outras pessoas.

E tão perto de completar 20 anos eu só vejo que ainda tenho muito a crescer e não sei em qual direção seguir. Como é complicado se sentir deslocada, sem saber o que fazer da vida. Enquanto isso vou descobrindo meus talentos, tentando encaixá-los de uma forma que me ofereçam uma satisfação pessoal, aquela sensação de ter desenvolvido algo.

Não sinto que desenvolvi algo nessas duas décadas que tenha sido impactante para os que me cercam, mas faço questão de conseguir fazer isso nos próximos 20 anos. E, espero eu, que leve muito menos tempo do que isso.